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Construção civil busca materiais alternativos

Via: Jornal Cidades

Com a intenção de utilizar opções ecologicamente mais corretas ou simplesmente para acelerar e baratear o custo das edificações, o ramo da construção civil está ampliando o leque de produtos aproveitados, além dos tradicionais tijolos e concreto. Entretanto, para que materiais de menor impacto ambiental ou com preços mais acessíveis possam ser mais utilizados, é preciso ainda mudar a mentalidade dos agentes desse segmento.

“Isso passa pela criação de uma cultura”, frisa o diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil departamento do Rio Grande do Sul (IAB-RS) e professor da faculdade de Arquitetura da UniRitter, Rodrigo Troyano. Para a realidade gaúcha, o diretor do IAB-RS vê oportunidades em tijolos maciços feitos com resíduos industriais, assim como no emprego do bambu e do barro. Outra sugestão de Troyano é procurar soluções pré-fabricadas, que geram menos rejeitos nas obras.

O professor da UniRitter recorda que a construção civil é a indústria que mais gera resíduos no planeta, e que é necessário reduzir esse volume. Troyano defende que é preciso observar o cuidado com o meio ambiente ao se adotar um material alternativo, dando preferência a insumos renováveis. O arquiteto Alberto Cabral comenta que o Brasil ainda se encontra em uma situação atrasada quanto à construção civil em relação às nações mais desenvolvidas. O País utiliza muitos materiais que absorvem uma grande quantidade de energia para serem produzidos. Outro problema é que, em várias ocasiões, há a necessidade de transportar os produtos por longas distâncias. “Mas, olhando o Brasil como um todo, já existe um movimento interessante por parte de construtores para que suas obras sejam mais sustentáveis”, afirma o arquiteto.

A empresa GeoBrick, de Ivoti, desenvolve, por exemplo, o que chama de tijolo ecológico, feito a partir da mistura de solo, cimento e água. O produto é considerado ecológico, pois não é feita a cura em fornos a lenha, como acontece com o tijolo convencional.

O responsável pelas áreas de Administração e Marketing da GeoBrick, Fabio Nunes Frota, comenta que, como o item é prensado, consequentemente, possui uma resistência final maior à do tijolo convencional. Frota informa ainda que, comparado ao tijolo à vista convencional, o artigo não é muito mais caro. O ecológico é tratado externamente com um tipo de impermeabilizante e não possui um limite de vida útil. “É claro que, se deixar exposto à natureza sem qualquer tipo de tratamento, com o tempo, irá sofrer os danos, como qualquer outro bloco ou material”, argumenta.

Agilidade é considerada como um diferencial em obras

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Paredes em PVC são preenchidas com concreto para dar resistência /BAZZE/DIVULGAÇÃO/JC

Outra empresa gaúcha, a Bazze, do município de Portão, também aposta na durabilidade e na rapidez que seu produto proporciona: formas de PVC para a construção de paredes. Esses perfis são preenchidos com concreto para dar resistência, e as edificações permanecem com o plástico do lado externo quando a obra é concluída.

O diretor comercial da Bazze, Fábio Luiz de Souza, vê como vantagens do uso do PVC a baixa manutenção e uma vida útil de mais de 50 anos. O executivo detalha que a conservação do produto é baseada na limpeza com água e sabão. A solução está sendo empregada na implantação de uma escola pública em Sorocaba, estado de São Paulo, que será concluída ainda neste semestre, com 25 salas de aula e 3,5 mil metros quadrados de área construída. Souza explica que a prefeitura tinha pouco prazo para construir o colégio e viu no sistema de PVC uma resposta que atendia a essa necessidade. As paredes foram executadas em 90 dias, comenta o diretor comercial.

A Bazze já tinha usado a técnica com o plástico em um projeto habitacional, com 101 casas, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, no município de Sapiranga. No entanto Souza comenta que a maior utilização do PVC para esse tipo de finalidade ainda precisa superar algumas barreiras culturais. O diretor ressalta que hoje a construção no Brasil ainda é muito ligada às operações tradicionais com tijolos, cimento, reboco etc. “Mas esses sistemas demandam muita mão de obra, então, além de serem mais demorados, acabam sendo mais caros”, argumenta.

Já o Grupo Colmeia Engenharia Inteligente, de Esteio, aposta em outro produto de rápida aplicação: contêineres que são usados para habitação. O diretor comercial da empresa, Julio Delfino, informa que um dos itens é o contêiner modulável e desmontável, muito utilizado como escritório, alojamento, refeitório ou banheiro de canteiros de obra, mas que também pode ser utilizado como residência. O executivo enfatiza que se trata de um dos contêineres mais leves do mundo, com 800 quilos, feito em aço galvanizado. A unidade tem até 6 metros de cumprimento, por 2,30 metros de largura e 2,50 metros de altura.

“É uma casa transportada totalmente pronta, que demora 15 dias para entregar”, afirma. O desenho da unidade depende do projeto que o cliente demanda, mas, normalmente, o contêiner possui uma porta, uma janela e a abertura para o ar-condicionado, com revestimento térmico completo. Dependendo do modelo, o custo para adquirir um produto como esse pode variar de R$ 7 mil a R$ 30 mil, e a empresa também trabalha com locação. Delfino revela que, em média, mensalmente, são locados cerca de 40 contêineres e vendidos 20.

Vendas de materiais ficam estáveis

As vendas de materiais de construção no varejo ficaram estáveis em fevereiro em comparação com o mesmo mês do ano passado. Já frente a janeiro, houve queda de 9%. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). O levantamento considera a performance de 530 lojistas de todo o País.

Todas as regiões apresentaram variações negativas em fevereiro na comparação anual: Nordeste (-16%), Norte (-8%), Centro-Oeste (-6%), Sudeste (-9%) e Sul (-15%). Com o fim do período chuvoso e a implantação gradual do Cartão Reforma – programa do governo federal que subsidiará a compra de materiais de construção por famílias de baixa renda -, a tendência é de uma melhora das vendas nos próximos meses, segundo o presidente da Anamaco, Cláudio Conz.

“O governo, aos poucos, está lançando o programa em cada estado contemplado, dispondo um subsídio às famílias de baixa renda para compra de material de construção”, afirmou Conz.

Fonte: Jornal Cidades | www.jcrs.uol.com.br
Postado por: GBC Engenharia – Perícias e Consultoria | www.gbcengenharia.com.br

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Segurança no canteiro de obras para preservar a integridade do trabalhador

Via Notícias do Dia

Olhar atento do engenheiro de Segurança do Trabalho e uso de equipamentos de segurança baixam a estatística de acidentes na construção civil

Acidentes de trabalho na construção civil ocorridos na Grande Florianópolis nos últimos dias atentam quanto às normas de saúde e segurança dos trabalhadores, que devem ser seguidas pelas construtoras e engenheiros civis. Na sexta-feira, 24 de junho, Willian Antunes da Silva, 25, trabalhava na reforma de um prédio no bairro Estreito, em Florianópolis, quando o teto desabou e o tirou a vida do jovem pedreiro. Três dias após, outro operário perdeu a vida em uma obra no bairro Pedra Branca, em Palhoça, ao cair do sétimo andar no poço do elevador.

Prevenir acidentes de trabalho e preservar a integridade física e mental dos funcionários da construção civil é a principal função do engenheiro de Segurança do Trabalho, Carlos Alberto Xavier. Kita, como é conhecido no ramo, acompanha todas as fases de uma obra, do início ao fim. “Os riscos são cíclicos, mudam de acordo com a etapa da obra. Por isso, os funcionários têm de ser treinados e vistoriados diariamente”, diz o diretor técnico da ACE (Associação Catarinense de Engenheiros). KIta observa que a conscientização de construtoras e profissionais tem colaborado para a diminuição de acidentes de trabalho.

“A construção civil já foi campeã em acidentes de trabalho, hoje estamos em quarto lugar”, destaca, citando entre os mais comuns acidentes de queda, aterramento elétrico e em elevadores de obra. Segundo Kita, o numero de acidentes caiu depois que as empresas passaram a adotar EPC (Equipamentos de Proteção Coletiva) e EPI (Equipamentos de Proteção Individual). “Sempre que o funcionário estiver acima de dois metros de altura, por exemplo, é obrigatório o uso de cinto de segurança acoplado a um trava quedas, com cabo individual. Sem falar no uso de capacete para qualquer pessoa que entre na obra”, ressalta.

Fiscalização, notificação e penalidades

O CREA-SC (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Santa Catarina) é responsável pela orientação e fiscalização do exercício profissional na construção civil. Cerca de 60 fiscais percorrem o estado vistoriando empresas e os respectivos engenheiros responsáveis. “Fizemos um roteiro e dividimos os fiscais, que atuam em 23 inspetorias no estado. Temos frota própria, que é equipada com aparelhos de GPS para facilitar o trabalho”, explica o engenheiro civil, Luiz Henrique Pellegrini, superintendente CREA–SC.

O engenheiro diz que tanto a construtora quanto o profissional responsável por uma obra devem ser devidamente registrados. “Fizemos com que se cumpra a lei 5194/1966. Somos limitados e não temos poder polícia. Mas penalizamos o proprietário por não ter profissional habilitado ou ART (Anotação de Responsabilidade Técnica)”, conta. Pellegrini destaca que o objetivo não é o multar, mas orientar e prevenir problemas. “No primeiro contato notificamos e o empresário tem 10 dias para se regularizar. Se não atender é multado quantas vezes for necessário, podendo chegar a R$ 4 mil”, diz.

Prevenir para conservar mão de obra

Garantir o respeito às normas de saúde e segurança nos canteiros de obras da Grande Florianópolis, evitando acidente de trabalho. Este é o principal papel do Seconci (Serviço Social da Indústria da Construção Civil). “Identificamos os riscos que o trabalhador está exposto e ajudamos a conservar a mão de obra e diminuir afastamentos”, expõe o gestor, Marcos Petri. Apesar dos benéficos, apenas 25% das construtoras da Grande Florianópolis são associadas. “Os demais têm seu próprio SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), não fazem os programas ou contratam uma empresa de assessoria”, diz Petri.

Saiba mais:

- O CREA emite cerca de 14 mil notificações por ano em Santa Catarina, sendo que pelo menos duas mil viram multas

- 65% das multas são referentes a obras que não têm profissionais habilitados

- Em 2010, o CREA regularizou 12 mil empresas e/ou profissionais

- O CREA não vistoria obras, se a obra está irregular e se respeita o código de posturas, o que é de responsabilidade de cada município

Fonte: Notícias do Dia | www.ndonline.com.br

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Monitoramento de obras na construção civil já pode ser feito com drones

Via Drone Show Latin América | www.droneshowla.com

O uso de veículos aéreos não tripulados (VANTs) ou drones, como são conhecidos, ainda é pouco utilizado no mercado civil mas essa é uma área que está em crescimento e mostrando seu espaço. Tanto que o tema será discutido no evento Drone Show Latin America, que pela primeira vez será realizado na América Latina, nos dias 28 e 29 de outubro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

Um dos assuntos debatidos será o uso de drones em projetos de Engenharia. Dentre as vantagens oferecidas estão o mapeamento da área onde o projeto será realizado, avaliação de viabilidade e geração de pré-projetos, acompanhamento da evolução da obra com documentação fotográfica, entre outras tarefas. Para Luiz Dalbelo, gerente de vendas da Santiago & Cintra, há ainda a possibilidade do uso de drones em inspeções. “Em estruturas altas onde pessoas não poderiam acessar, os VANTs são super recomendados. Além de câmeras fotográficas e de vídeo em alta resolução, eles podem utilizar outros sensores de captação de informação. Um deles seria, por exemplo, um sensor termal. O sensor termal poderia ser utilizado na inspeção de equipamentos e estruturas. Caso o operador detecte pontos com excesso de calor, ele pode tomar uma ação corretiva para sanar algum possível defeito da estrutura ou do equipamento utilizado”.

A economia de tempo, dinheiro e a maior segurança para os funcionários também são questões importantes para esse mercado. “Enquanto uma equipe de topografia poderia levar semanas para levantar uma área de 100 hectares, dependendo do grau de detalhamento, um drone pode sobrevoar esta área em menos de meia hora. A segurança também é um outro ponto chave, o mapeamento remoto e a possibilidade de inspeção remota evita a necessidade de funcionários acessar locais perigosos de uma obra. Muitas vezes a documentação fotográfica aérea, mesmo em obras pequenas, era feita com aeronaves tripuladas ou helicópteros, o que aumentava o custo. Com os VANTs, nós reduzimos custos de campo tais como combustível e logística”, explica Dalbelo.

Ainda não existe um levantamento preciso de quantos drones operam dentro da construção civil no país mas Dalbelo, acredita no potencial do negócio. “Não existem informações específicas para a área de construção mas algumas dezenas de VANTs já foram adquiridos por diferentes empresas que prestam serviço para esta finalidade”.

Segundo o gerente de vendas, o mercado para esse novo serviço está avançando. “Sem dúvidas está crescendo e este crescimento tende a ser cada vez mais agressivo, por se tratar de uma tecnologia inovadora que traz inúmeros benefícios. Não temos dúvidas que esta tecnologia se tornará uma das principais empregadas no mapeamento e monitoramento de obras na engenharia”, finaliza.

Postado por: GBC Engenharia – Perícias e Consultoria | www.gbcengenharia.com.br

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Sistema Firjan e Inea lançam Manual de Licenciamento Ambiental para a Construção Civil no Rio de Janeiro

Via Pini Web | www.construcaomercado.pini.com.br

Publicação tem como objetivo auxiliar o empresário desde o momento da opção por determinada área até a aprovação do seu projeto

Manual de Licenciamento Ambiental para a Construção CivilO Sistema Firjan e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) lançaram, no último dia 8, o Manual de Licenciamento Ambiental para a Construção Civil, destinado a empreendimentos no Estado do Rio de Janeiro. A publicação é gratuita e poderá ser baixada pela internet.

A publicação tem como objetivo auxiliar o empresário desde o momento da opção por determinada área até a aprovação do seu projeto, esclarecendo e sintetizando os principais passos a serem dados antes e durante o processo.

Além das questões de licenciamento ambiental, o manual aborda ainda aspectos que precisam ser observados antes mesmo de se decidir pela aquisição de um imóvel ou pela execução de um empreendimento.

O Sistema Firjan é formado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senail) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

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aterros em edificações

Norma para controle tecnológico de aterros em edificações está em consulta pública

Texto é válido para construção de empreendimentos residenciais, comerciais ou industriais de propriedade pública ou privada. Sugestões podem ser enviadas até 12 de junho

Está em consulta pública nacional a NBR 5681 – Controle tecnológico da execução de aterros em obras de edificações, que foi adaptado pelo Comitê de Construção Civil (CB-02) à Diretiva – Parte 2 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O novo texto substitui a norma anterior de mesmo número e estabelece os requisitos mínimos para o procedimento de controle tecnológico da execução de aterros em obras de construção de edificações residenciais, comerciais ou industriais de propriedade pública ou privada.

A NBR determina a obrigatoriedade do controle tecnológico em casos de aterros com responsabilidade de suporte de fundações, pavimentos ou estruturas da contenção, aterros com altura superior a 1 m e aterros com volumes superiores a 1 mil m³.

Fica estabelecido também que o controle tecnológico da execução dos aterros deve levar em conta as exigências do projeto e das especificações particulares de cada obra, em especial quanto às características e qualidade do material a ser utilizado; ao controle da umidade do material; à espessura e homogeneidade das camadas do material; ao equipamento adequado para a compactação; e ao grau de compactação mínimo a ser atingido.

O texto reúne ainda requisitos específicos para o controle de materiais, compactação, preparação do terreno e ensaios geotécnicos.

Os interessados poderão colaborar enviando propostas e sugestões até o dia 12 de junho através do site da ABNT.

Fonte: Téchne | www.techne.pini.com.br
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NR-18 deve ser revisada ainda este ano, segundo Ministério do Trabalho e Emprego

NR-18 deve ser revisada ainda este ano, segundo Ministério do Trabalho e Emprego

Ação está prevista em estratégia nacional lançada para reduzir acidentes e doenças relacionados ao trabalho

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou na última semana a Estratégia Nacional para Redução de Acidentes do Trabalho 2015-2016, que tem por objetivo ampliar as ações do órgão para a redução de doenças e acidentes trabalhistas no Brasil, além de intensificar as fiscalizações. Entre as ações previstas ainda para esse ano, está a revisão da Norma Regulamentadora nº 18 (NR-18) – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 2,34 milhões de pessoas morrem a cada ano em acidentes de trabalho e doenças no mundo. No Brasil, dados do Anuário Brasileiro de Proteção 2015, que utiliza informações do Anuário Estatístico da Previdência Social, mostram que durante o ano de 2013 717.911 pessoas sofreram acidentes trabalhistas, sendo que 2.814 chegaram a óbito e 16.121 ficaram com incapacidades permanentes.

Classificado pelo MTE como um dos segmentos de alto risco, o setor da construção civil representa grande parte dos acidentes trabalhistas que provocaram a morte ou a incapacidade permanente das vítimas. Em 2013, 451 trabalhadores morreram e 1.616 ficaram incapazes, segundo dados da Previdência Social.

Ainda segundo a OIT, cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, o equivalente a 2,8 trilhões de dólares, são perdidos por ano em custos diretos e indiretos devido a acidentes e doenças relacionados ao trabalho. Só no Brasil, entre 2008 e 2013 foram gastos cerca de R$ 50 bilhões.

O Ministério do Trabalho também lançou a Campanha Abril Verde, que objetiva propor iniciativas para a redução dos acidentes de trabalho mobilizando a sociedade para a prevenção de doenças e cuidados durante a jornada trabalhista. O mês foi escolhido para o lançamento da campanha por ter duas datas importantes para o tema: o dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, e o dia 28 de abril, Dia Internacional em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho.

Fonte: Téchne | www.techne.pini.com.br
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MANUTENÇÃO X INSPEÇÃO PREDIAL

Manutenção X Inspeção Predial

*Por Vera Lucia de Campos Corrêa Shebalj

Existe uma diferença a ser evidenciada.

Quando falamos em manutenção nos limitamos a informações fornecidas pelo dono do empreendimento ou seu gestor.

Quem faz a manutenção é controlado por uma regra estipulada por alguém. Ao passo que vistoria, ou mais especificamente, inspeção predial é um conjunto de exames visuais para verificar a capacidade funcional da edificação. E isto depende de uma avaliação diretamente proporcional à experiência do profissional ou profissionais, pois a mesma é multidisciplinar.

A Inspeção predial é a vistoria da edificação para determinar suas condições técnicas, funcionais e de conservação, visando direcionar o plano de manutenção. Esta vistoria técnica tem por finalidade verificar as condições de desempenho e determinar medidas preventivas e corretivas que se fizerem necessárias para a boa vida do imóvel e seus usuários.

Os profissionais do sistema CREA/CONFEA mais preparados para tal mister são: o arquiteto e o engenheiro civil, acostumados a gerenciar. Então, os elementos construtivos de uma edificação como um todo, denotam segmentos que o engenheiro eletricista com a sua atribuição especifica responde pela elétrica e pára-raios, o engenheiro mecânico o sistema dos elevadores, por exemplo.

Importante salientar que, enquanto o profissional habilitado projeta e executa, o perito vistoriador , pela experiência detecta as anomalias, não só pela degradação irreversível, etapa última, bem como, a sua formação e propagação.

Há no mercado várias firmas que prestam serviços de manutenção predial, porém para que seja dada a ordem da manutenção é necessário um plano de ação, feito pelo profissional que fez a inspeção predial, dando as prioridades, identificando problemas que o desgaste e o uso impuseram.

Destarte, um único aspecto que devo reforçar é a seriedade, através da livre escolha, pois a concorrência é sadia. O que importa é o despojamento da cultura da esperteza, aquela do levar vantagem em tudo e buscar a eficiência, e a competência.

Não somente as Normas e Leis que preconizam os procedimentos como também nos regem como profissionais, mas os aspectos de envergadura ética, o Código do Consumidor são restrições que limitam as escolhas.

O trabalho de custo/beneficio mais vantajoso certamente, não é subsídio para determinação de quem deve verificar e manter seu patrimônio.

Uma vistoria preventiva com olhar técnico e seletivo, não apenas habilitado e sim, empenhado na capacitação e no bom senso.

O custo de uma intervenção aumenta de forma drástica e dramática, na medida em que tratamos a instalação com menor atenção, cuidado e negligência, espaçando as manutenções, por conseguinte o dispêndio será maior.

E como diz o dito popular: deve-se tratar o mal pela raiz, e uma informação errada ou displicente pode desvalorizar o seu Bem ou impor que sua adequação seja tão dispendiosa e assim mesmo recendente num decurso de tempo posterior.

Normalmente se faz uso de tabela de honorários, e que segue padrões.

Não podemos aquilatar o tempo de uma vistoria, isto é muito variável. Cada imóvel tem sua vida e às vezes o que pode parecer simples terá que ter uma atenção maior.

Não obstante que os prédios de uso comercial, que tem uma população flutuante e maior, deva ter uma atenção especial em detrimento de outro residencial, cujo potencial de risco é menor.

De qualquer forma estamos lidando com vidas humanas e sua segurança não deve ser menosprezada, nem tão pouco a valoração patrimonial.

Desconsiderando a má execução, toda a construção tem um tempo de vida útil. Se não é pelo aspecto de decrepitude, ou obsoletismo quando cuidada de maneira correta pode ter um longo tempo de vida. O que podemos dizer das construções européias??

Não se pode conhecer todas as áreas, porém uma coisa é certa, uma boa administração se faz em delegar atribuições a pessoas qualificadas.

Cabe ao condomínio, através de seu representante legal, o Síndico, se munir de profissionais habilitados para verificar as condições e determinar as medidas preventivas e até corretivas que se fizerem necessárias, em atenção a satisfação do pós-uso.

Uma gestão operacional pode deter vários tipos de ingerência desde uma simples reparação, uma modernização, uma restauração e até uma demolição, se necessário. Identificar a origem do problema, seu grau de risco, para elaboração de um plano de ação e um cronograma físico financeiro adequando a disponibilidade financeira da edificação.

Portanto a seriedade é o ponto chave, não se pode alegar desconhecimento, ou ser negligente ou ainda passar a responsabilidade para outrem, quando de eventuais sinistros.

A água é o essencial de nosso organismo, mas também é o infortúnio da construção civil. A patologia mais grave é a que vai aos poucos como um câncer que, quando constatada a olho nu já tomou parte do arcabouço estrutural, desplacando inclusive as pastilhas das fachadas , por uma vertente, pois podem também ser decorrentes de processos de infiltrações meramente superficiais.

Há necessidade de avaliações periódicas, conforme a idade do imóvel e o tipo da construção, contando seu uso adequado e apontar as desconformidades que sendo programadas, são menos onerosas.

Existem Normas Brasileiras como, por exemplo, a NBR 5674/99 Manutenção de Edificações – Procedimentos, disponibilizada pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, a NBR 14037 – Manual de Operação, Uso e Manutenção das Edificações, porém, o que se deve mudar é a cultura, propiciando uma postura de coisa certa.

A Norma de Desempenho NBR 15575 – Edifícios Habitacionais de até cinco pavimentos, recente, deverá mudar os conceitos de construir, de projetar, de fabricar e quem mais se beneficiará é a sociedade.

*Vera Lucia de Campos Corrêa Shebalj
Presidente do IBAPE-PR – Instituto Brasileiro de Avaliação e Perícias de Engenharia no Paraná

Fonte: IBAPE-PR | www.ibapepr.org.br
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Cresce uso de contêineres nos canteiros de obras e indústrias

Os contêineres têm sido uma opção segura, prática e sustentável de armazenamento de material na indústria, nas propriedades rurais e principalmente na construção civil. Em canteiro de obras, os equipamentos têm substituído almoxarifados, escritórios e, até mesmo, sanitários. Com medidas de 4m a 7m, as locações variam de R$ 350 a R$ 700 por mês.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Sinduscon – TAP), Panayotes Tsatsakis, o uso dos contêineres em obras é uma tendência mundial que tem sido adotada também no Brasil nos últimos dez anos. “As empresas de locação passaram a oferecer opções de contêineres com sanitário, escritório e depósito e mais construtoras e empreiteiras passaram a usar os equipamentos nos últimos quatro anos”, afirmou. Tsatsakis disse também que o reservatório é de fácil instalação e as empresas passaram a se conscientizar dos benefícios de não gerar resíduos.

O empresário Carlos Alberto Nazar, que há dois anos trabalha no ramo de locação de contêineres, disse que as empresas têm preferido este tipo de armazenamento pela segurança e pela praticidade. “A maioria dos clientes tem usado os contêineres como depósito de material de construção e para guardar ferramentas, também usam adaptados para escritório e sanitários.”

Um conjunto de lojas comerciais em construção no bairro Jardim Karaíba, na zona sul de Uberlândia, está usando dois contêineres, um para depósito e outro para sanitário. O administrador desta obra, Hélio Machado, disse que as estruturas proporcionam segurança contra roubos e intempéries. “O custo do aluguel compensa a segurança que ele oferece”, afirmou.

Equipamento pode ser usado ainda para guardar insumos

Além da construção civil, os contêineres têm sido usados na indústria para estocagem de material, por produtores rurais para armazenar insumos e também para eventos. O empresário Carlos Alberto Nazar que tem uma empresa de locação de contêineres disse que 75% são usados na construção civil e 25% têm outras finalidades. “Uma fábrica grande de bebidas chegou a montar um refeitório e uma área de convivência.” Ele afirmou que a indústria canavieira também tem utilizado as caixas de metal para armazenamento de insumos.

Moradores podem usar recipiente no lugar de caçamba

Os contêineres podem ser usados em vias públicas de Uberlândia desde que ocupem o mesmo espaço das caçambas de entulhos. Se o uso do contêiner for na região do hipercentro da cidade, o proprietário do imóvel deve apresentar pedido de autorização com 30 dias de antecedência no setor de protocolo da Prefeitura de Uberlândia.

O coordenador do setor de interdição de ruas da Secretaria de Trânsito e Transportes (Settran), André César Araújo, disse que se o contêiner ultrapassar o tamanho de uma caçamba, o proprietário do imóvel ao solicitar a autorização deve fazer um projeto de sinalização do local e apresentar à Pasta.

Fonte: Correio de Uberlândia 

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Cálculo de empolamento e contração do solo

Os volumes de terra medidos pela topografia são diferentes dos que precisam ser carregados no caso de aterros ou cortes no terreno. Confira como calcular a quantidade de caminhões e caçambas em serviços de terraplenagem

Empolamento e contração do solo

Ao escavar o solo, a terra fica solta e passa a ocupar mais espaço. Esse efeito é conhecido como empolamento e é expresso em porcentagem. Se ao escavar 1 m3 de solo ele aumenta para 1,3 m3, o empolamento é de 30%.
É importante conhecer esse fenômeno para planejar os equipamentos, principalmente de transporte, e também a produtividade. Caso o volume de corte do solo seja de 100 m3, o total a ser transportado será de 130 m3, graças ao empolamento.
O oposto do empolamento é a contração. Ou seja, o quanto a terra ocupa a menos de volume quando compactada. Nesse caso, o volume final é inferior ao que a terra ocupava no corte. Assim, para executar um aterro com 1 m3, será preciso mais que 1 m3 de terra.

CÁLCULO PRÁTICO DO EMPOLAMENTO

1. Vamos imaginar uma obra que necessite escavar 50 m3 de terra, medido pelo serviço de topografia. O objetivo é descobrir o Vs (volume de terra solta) para definir o transporte, o que é calculado a partir da seguinte fórmula, sendo que “Vc” é o volume medido no corte; e “E” é o empolamento.
Vs = Vc (1 + E)
2. Para exemplo, vamos considerar que a terra é comum, com taxa de empolamento de 25%. Para realizar a conta, transforme a porcentagem em 0,25. A conta fica assim:
Vs = 50 (1 + 0,25)
Vs = 50 x 1,25
Volume de terra solta = 62,5 m3
3. Portanto, depois da escavação, o volume de terra, que era de 50 m3 no corte, aumentará para 62,5 m³.

TAXA DE EMPOLAMENTO

Segundo o livro Como Preparar Orçamentos de Obras, de Aldo Dórea Mattos, publicado pela Editora PINI, cada tipo de solo possui uma taxa de empolamento. Veja:
MATERIAL E (EMPOLAMENTO %)
Rocha detonada – E 50%
Solo argiloso – E 40%
Terra comum- E 25%
Solo arenoso seco – E 12%

ATENÇÃO
Uma caçamba comum tem capacidade média de 5 m3. Sem considerar a taxa de empolamento, seriam necessárias dez para carregar 50 m3. Portanto, muito cuidado ao realizar esse cálculo, pois na verdade são necessárias 12 caçambas.

CÁLCULO PRÁTICO DA CONTRAÇÃO

A contração ocorre quando o volume final é inferior ao que havia no corte. Se 1 m3 de solo (medido no corte) contrai para 0,9 m3 no aterro após compactação, a redução volumétrica é de 10%.
Para saber quanto de terra será necessário cortar para fazer um aterro com 50 m3 – e considerando redução volumétrica de 10% – vamos utilizar a seguinte fórmula:
Vc = Va/C
Onde:
Vc = Volume de terra medido no corte
Va = Volume compactado no aterro
C = Contração (se a redução volumétrica é de 10%, a contração é de 90%) Aplicando a fórmula, lembre-se de mudar a porcentagem. Assim: 90% = 0,90. Portanto:
Vc = 50/0,90
Vc = 55,55 m3

Se também quiser saber o volume de terra solta a ser transportada – usando a mesma taxa de empolamento de 25% -, basta utilizar, novamente, a fórmula:
Vs = Vc (1 + E) Vs = Vc (1 + E) Vs = 55,55 m3 (1 + 0,25) Vs = 55,55 m3 x 1,25 Volume de terra solta = 69,4 m3

Conclui-se, portanto, que para fazer um aterro com volume final de 50 m³ é necessário escavar 55,55 m3 e transportar 69,4 m3 de terra.

Fonte: JBS

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Segurança, um objetivo comum

Revisão da NR18 reúne trabalhadores, construtores e governo na busca por consensos que tornem a construção civil mais segura

Entrevista com Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do Sinduscon-SP

A revisão da NR 18, sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção tem colocado trabalhadores e empresários para conversar na mesma mesa. Um dos líderes desse processo é construtor Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do Sinduscon-SP, coordenador do CPN (Comitê Permanente de Negociação da Convenção Coletiva do Sinduscon-SP), e Coordenador do CPR-SP (Comitê Permanente Regional do Estado de São Paulo), entre outros cargos que ocupa em diversas entidades do setor.

A frente da bancada dos empregadores, Ishikawa tem acompanhado o debate acalorado em torno das novas normas que comporão a NR18. O objetivo, segundo ele, é fechar o cerco em torno de empresas que insistem em atuar de maneira irregular, abrindo um caminho irreversível para a ocorrência de acidentes.

Para as empresas que já adotam programas de prevenção e segurança, a meta é inserir procedimentos que minimizem ainda mais a possibilidade de acidentes. “Nosso objetivo é a prevenção de acidentes”, diz ele, que não esconde a ocorrência de divergências, mas acredita que elas serão solucionadas para dar lugar uma normatização mais moderna e sintonizada com as tendências de uma construção global.

Decreta ainda que a construção brasileira terá de investir em inovação e industrialização, para superar a falta de mão-de-obra qualificada ou não, e dar conta da exigência de aumento da produtividade.

Revista Grandes Construções – Qual o motivo para essa revisão da NR 18?

Haruo Ishikawa – A primeira versão da NR 18 foi elaborada na década de 1990 e está em vigor há quase 20 anos. A revisão da norma, em andamento, tem como uma das principais características a inclusão de itens específicos da construção pesada, ou seja, aquela que responde pela área da infraestrutura e grandes obras. Até então, havia alguma dificuldade para a indústria da construção pesada. A NR 18 foi desenhada, inicialmente, utilizando como modelo uma lista de verificação própria da indústria da construção civil imobiliária. A nova NR 18 vai assumir o papel de Norma de Segurança e Saúde da construção civil, incluindo tanto itens da construção leve como da pesada. O processo já está em fase final de conclusão, porque já feito uma consulta pública. Quem faz a análise disso é um comitê tripartite, que envolve os empregadores, trabalhadores e governo.

GC – E quais são as principais alterações que o senhor vê na revisão?

Haruo Ishikawa - Durante a consulta pública, todos os envolvidos opinaram, então ainda não se pode dizer exatamente o que foi aceito ou não.  Hoje eu considero que praticamente 80% dos trabalhos já estão consolidados. Mas o processo não está concluído.  Há um cronograma de reuniões para concluir o processo, onde cada uma das bancadas é responsável pela análise desse material. Já estão marcadas as próximas reuniões do Comitê Permanente Nacional, onde estas questões vão ser analisadas. Serão seis reuniões do CPN, para análise e validação de tudo que foi consolidado até agora. Finalizado esse trabalho, o processo segue para  Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), a última etapa antes da publicação no diário oficial. As reuniões são um momento importante, em que todos são informados do que está ocorrendo. É um “bate-bola” proveitoso, em que todo mundo pode opinar e saber o que está ocorrendo dentro dos comitês.

GC – Podem surgir pontos polêmicos e impasses?

Haruo Ishikawa - Na realidade, sempre vai ter pontos divergentes, mas a intenção do CPN é que a norma seja a melhor possível, que seja exequível, e que seja boa para os trabalhadores. A preocupação da NR 18 é a prevenção. Não adianta chorar depois do leite derramado. O importante é a prevenção. Esta é uma norma prevencionista. E é esta a ideia que permeia toda a NR 18 assim como a revisão, que é um aprimoramento.

GC – A construção pesada não era atendida pela norma?

Haruo Ishikawa – Alguns itens de proteção eram incompatíveis para esse setor, mas de modo em geral, atendia a todas as obras. No caso da construção pesada e grandes obras de infraestrutura, há sempre um programa de gestão de segurança. A preocupação é a seguinte. Empregava-se a NR 18, mas não em sua plenitude. Agora – e inclusive a Sobratema tem ajudado bastante nesse processo – haverá uma norma específica para o transporte de cargas, com respeito à questão da capacitação do trabalhador, e com respeito aos equipamentos. Então são vários itens que foram inseridos agora e que antes não existiam.

GC – E o setor está participante em sua opinião?

Haruo Ishikawa - A bancada tem levado todos os engenheiros de segurança das grandes empresas, como Odebrecht, Camargo Correa, OAS, que têm colaborado bastante. Temos contado, inclusive, com a participação de entidades importantes, como a Sobratema, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que estão colaborando na elaboração da norma. Todos estão sendo chamados para decidir junto. A gente sabe que os especialistas são fundamentais para opinar nessa norma. Então a gente está tentando contar com o maior número de representantes, nessa cidade, para colaborar.

GC – O que deve causar mais impacto?

Haruo Ishikawa - Essa questão do impacto é o seguinte. Para uma norma entrar em vigor, o primeiro desafio é a sua plena divulgação. O segundo desafio é a absorção dessa norma para implantação pela empresa, dentro de um prazo. A partir da aprovação, as empresas terão mais 12 meses até sua entrada em vigor, justamente para que ocorra esse processo de divulgação por todo o país. Serão criados fóruns de discussão, debates, entre outros canais de comunicação com a sociedade.  Ao entrar em vigor, o mais importante é com respeito ao treinamento dos auditores e à regulamentação da norma.  Nós só vamos saber o que vai acontecer a partir do momento em que ela estiver sendo aplicada. Nesse instante eu não posso dizer o que vai ser, porque são vários debates ainda não concluídos. Esses 20% de itens que não estão definidos e concluídos, realmente apresentam controvérsias entre governo, trabalhadores e empregadores.  A partir do momento em que tudo estiver consolidado, será mais fácil avaliar o que vai dar certo ou não.

GC – Pode mencionar uma das questões onde existam controvérsias?

Haruo Ishikawa - Uma questão hoje é a questão da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), tendo em vista a rotatividade da mão de obra do setor.  Esta atividade é praticamente nômade. O trabalhador fixa no canteiro durante 12 meses ou pouco mais, e depois vai embora. Então, alguns aspectos podem ser difíceis de serem adotados por causa disso. Nós estamos tentando negociar com o governo e com os trabalhadores a maneira de como nos adaptar a essa realidade. O treinamento também inclui alguns itens a serem discutidos, como a carga horária do treinamento, realização e revalidação deste treinamento, uma vez que existe essa questão da rotatividade. Então existem algumas questões a serem analisadas.

GC – E o senhor acredita que o índice de acidentes realmente será reduzido?

Haruo Ishikawa - Essa é a proposta da norma. Já existe uma norma em andamento há 20 anos, e que minimizou bastante a incidência de acidentes. A gente fala muito do crescimento dos acidentes, mas se formos verificar quantos trabalhadores tinham carteira assinada em 2003 e quanto temos hoje, veremos que existe uma diferença de dois milhões de trabalhadores. Imagina se houve escolas para capacitar toda essa gente. Impossível.  Esse treinamento foi realizado pelas próprias empresas. Mas muita gente trabalhou sem capacitação nenhuma.

GC – Como funciona esse modelo das comissões tripartites.

Haruo Ishikawa – Eu penso que o comitê tripartite do setor da construção é o mais democrático que existe. O setor é modelo no Brasil neste formato tripartite. E o mais importante é que funciona. Todas as normas que existem da NR 18 da construção são feitas pelo comitê tripartite, quem tem a participação do governo, dos trabalhadores e das empresas. Então tudo é feito pelo comitê tripartite, que é algo consolidado, funcionando há mais 20 anos. Qualquer renovação na norma passa por este comitê. Então ele é muito dinâmico. Porque além de ter um comitê permanente nacional, em todo estado existe o comitê permanente regional. Então são vários setores que trabalham nessa questão juntos.  Todos têm participado, seja um pouco mais um pouco menos. Não é um grupo tecnicamente muito homogêneo, mas são pessoas interessadas na segurança dos trabalhadores.

GC – E com respeito a esses recentes acidentes ocorridos, como o da laje que caiu e vitimou vários trabalhadores, a maioria deles vindos de outras regiões do país?

Haruo Ishikawa - Esses acidentes são previsíveis. E a mídia destaca como razão a  informalidade. A informalidade todo mundo entende como aquela obra em que todos os trabalhadores não estão registrados. Na realidade não é bem assim. A informalidade começa no prédio que não tem alvará de execução e de construção liberado pela prefeitura, onde não existe uma empresa com  Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – (CNPJ), adequado para responder pela construção civil. Onde não há um engenheiro responsável que toca esse empreendimento e projetos elaborados com profissionais legalmente habilitados. Todas as obras e os profissionais têm de recolher a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Além disso, uma obra a partir de um determinado número de trabalhadores precisa ter um Técnico de Segurança. Caso contrário, é uma obra informal, que não tem uma gestão de segurança. Como o setor ainda tem muito essa questão da informalidade, todo o ônus vai para a construção civil legal. O Sinduscon-SP representa a construção legal. E como se combate a ilegalidade? Com fiscalização. E como isso é feito? No caso do alvará de construção, a responsabilidade é da prefeitura de cada localidade. No caso de irregularidades no tocante às leis trabalhistas, é com o Ministério do Trabalho. O sindicato não tem esse papel de fiscalizador, o que nós fazemos é incentivar o setor a atuar dentro da formalidade legal.

GC – Falta maior fiscalização?

Haruo Ishikawa – A partir do momento em que não há essa fiscalização, essas irregularidades vão acontecer bastante. E a gente percebe que a maioria dos casos de acidentes ocorrem em obras informais. A prefeitura tem adotado medidas para embargar a obra, quando não tem alvará de funcionamento. Acho que tem de haver mais rigidez nas questões legais. Normalmente as obras formais são fiscalizadas. Os trabalhadores são até mais organizados.  Exigem seus direitos. Um dos itens da NR 18 prevê a obrigatoriedade da comunicação prévia junto ao Ministério do Trabalho. A norma já prevê isso. Então a fiscalização acaba indo só na obra que tem a comunicação prévia. Claro que acontecem acidentes nessa obra também.  Mas a maioria das ocorrências fica por conta das obras com irregularidades, que muitas vezes nem são comunicadas. E a fiscalização fica na dependência de alguma denúncia. E elas acontecem. Mas não temos como fiscalizar a obra ilegal. É preciso pensar como isso pode ser melhorado.

GC – Outras normas também passam por alterações, como a NR 01  e a NR 12. Como elas devem interferir na questão da NR 18?

Haruo Ishikawa – Quanto a NR1 (que trata sobre Disposições Gerais, e estabelece o campo de aplicação de todas as Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho Urbano), também está em consulta pública. Mas não consigo analisar tecnicamente ainda, não consigo opinar muito. A NR 12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos) envolve várias questões aí. Eu acho que o setor da construção civil vai passar por muitas mudanças sim. Como construtor, nós somos usuários da locação de equipamentos.  Eu penso que NR 12 tem que ser mais focada para os usuários de equipamentos. Quando nós compramos ou locamos, nós achamos que todas as normas são atendidas pelos fabricantes. Mas tudo isso ainda está sendo analisado.

GC- Essa discussão está envolvendo os construtores?

Haruo Ishikawa - Fomos chamados agora para opinar essa revisão da NR 12 e por isso estamos entrando para fazer essa avaliação. Inclusive eu solicitei junto a Alec (Associação Brasileira de Locadoras de Equipamento) uma análise técnica do possível impacto.  A gente imagina que a NR 12 terá que separar o que é a questão dos fabricantes e o que é a questão dos usuários. Isso é importante dizer: nós compramos equipamentos no mercado achamos que todos os equipamentos atendem as normas vigentes. No caso dos equipamentos importados, deverá ser exigido que atendam a legislação brasileira. A NR 12 pede o seguinte: que todo manual tem de ser traduzido para o português e tem de atender as normas brasileiras. Então quem compra equipamento importado tem de ser precaver para que atenda as normas brasileiras.

GC – É uma revolução em andamento com tantas mudanças ao mesmo tempo?

Haruo Ishikawa – A construção passou por uma grande transformação nesses últimos anos. Foram 2.290 milhões de trabalhadores contratados entre dezembro de 2003 a julho de 2014. Esse pessoal foi capacitado, qualificado? Infelizmente não tinha como. Foi um crescimento que o setor não estava esperando e agora haverá uma redução deste emprego. Vai ter desemprego nesse final de 2014 e em 2015, são dados do Sinduscon-SP, Fundação Getúlio Vargas e do Ministério do Trabalho. Na construção civil, é preciso capacitar o trabalhador no dia-a-dia. O mais importante é o treinamento de segurança, que é obrigatório.

GC – O senhor considera que houve melhorias significativas no item segurança, em que pesem a continuidade das ocorrências?

Haruo Ishikawa - Sim, houve uma melhoria. Eu estou há mais de 30 anos no mercado e posso dizer que as coisas melhoraram muito nesses últimos 10 anos. A gente tem divulgado muito esse trabalho e hoje as empresas tem consciência que segurança e saúde são sinônimos de investimento e que dá lucro investir em segurança. Há 15 anos o que se dizia sobre segurança é que gerava custo. Hoje as empresas já estão dizendo que segurança é investimento, dá lucro. Vários especialistas tem falado isso. Houve uma revolução de pensamento dos empresários e dos trabalhadores nesse sentido. Os trabalhadores também querem fazer a segurança. Há uma conscientização maior de todos os envolvidos.  No Sinduscon-SP,  é feito um trabalho, através da sua Comissão Permanente de Negociação Trabalhista (CPN), que vai até os canteiros, faz diagnósticos de prevenção, e pode orientar as empresas sobre a aplicação das normas de segurança.

GC – Esse recuo do setor e as possíveis demissões da mão-de-obra pode afetar esse esforço?

Haruo Ishikawa – Com essas demissões o setor deve perder um pouquinho sim. Quando não há crescimento, há desemprego em todos os setores. Na construção isso não é diferente.

GC – Ainda existe analfabetismo na construção?

Haruo Ishikawa – Sim, ainda existe analfabetismo. Estamos investindo bastante junto com o Sesi (Serviço Social da Indústria) e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para a elevação da escolaridade nos canteiros de obra e treinamento. Tem sido feito um trabalho muito interessante nesse sentido.  Mas ainda é um problema que existe no Brasil como um todo. Hoje o setor está querendo aumentar a produtividade e por isso requer trabalhadores mais qualificados. Por outro lado, a produtividade caiu bastante porque produtividade não é só qualificação, mas sim um conjunto de situações. Depende da gestão da empresa, da logística, dos projetos, da mão-de-obra. É um conjunto de ações que reduzem a produtividade e a qualificação da mão-de-obra é uma dessas questões importantes. Empregou-se mais, no entanto a produtividade foi menor. Em geral por culpa da própria empresa que não tem uma gestão muito bem elaborada.

GC – É possível atrair os jovens para o setor?

Haruo Ishikawa - Normalmente o jovem não quer realizar o trabalho de um pedreiro ou carpinteiro. O nosso grande problema é trazer a mão-de-obra e fazer a retenção dessa mão de obra no setor. Por conta disso, os salários aumentaram bastante nesses 10 anos. Um trabalhador da construção civil hoje, numa comparação com trabalhadores de outros setores, tem um salário elevado, pois trabalha por produção. Mas, para o futuro, a única maneira será buscar a inovação tecnológica e industrializar o processo. Esta é a saída para a melhoria da produtividade na construção, que é muito artesanal. O Brasil tem de investir mais em inovação tecnológica. Aqui ainda se usa bloco de tijolo. O mundo inteiro não utiliza mais esse método e o Brasil é ainda um dos únicos onde ele se mantém. Isso tem que mudar. Não dou um prazo, mas muitas construções já estão mudança, pois no futuro a prática artesanal será inviável.

Fonte: Grandes Construções | www.grandesconstrucoes.com.br

Postado por: GBC Engenharia | www.gbcengenharia.com.br

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