ONU propõe uma cruzada contra a poluição causada por plásticos na natureza

ONU propõe uma cruzada contra a poluição causada por plásticos na natureza

Via: Ambiente Brasil

Neste domingo (10), as pessoas que se sentem afetadas pelo estrago que os humanos causam à natureza terão uma chance de ficarem ainda mais indignadas se conseguirem assistir ao documentário “Blue Planet II”, no site da BBC News. No texto do editor de ciências da rede de comunicação, David Shukman, que faz a apresentação do filme, já dá para sentir vergonha e raiva, compartilhando sentimentos da zoóloga Lucy Quinn, que teve a má sorte de pegar um filhote de albatroz, na Ilha dos Pássaros, em Ushuaia, morto depois de ter engolido um palito de plástico que perfurou seu estômago.

Esta é a questão levantada no documentário: a invasão de plástico nos oceanos. Não tem desculpa, não tem justificativa desenvolvimentista que consiga explicar isso, a não ser a tremenda falta de cuidado que a humanidade demonstra ter com o ambiente que nos cerca. Uma das cenas do filme, segundo o texto de Shukman, mostra uma festa com balões de gás e, no minuto seguinte, uma pesquisadora dissecando outro pássaro, da família dos Fulmares, morto depois de ter engolido um daqueles artefatos de diversão que alguém, depois de usar, não teve o menor problema em jogar fora sem saber aonde iria parar.

Tanta falta de cuidado está afetando muita gente. Por isso, na reunião do meio ambiente que a ONU organizou em Nairóbi, cidade africana do Quênia e que acabou na quarta-feira (6), as quase quatro mil pessoas que estiveram presentes decidiram romper com uma tradição. Foi a primeira vez, em uma Assembleia Ambiental da ONU, que os ministros do meio ambiente das Nações Unidas emitiram uma declaração.

“O documento afirma que as nações honrarão esforços para prevenir, mitigar e gerir a poluição do ar, da terra e solo, da água doce e dos oceanos – que prejudica a nossa saúde, a da sociedade, dos ecossistemas, das economias e a segurança”, diz o texto.

Basicamente, segundo o discurso de Erik Solheim, diretor-executivo da ONU Ambiente, na abertura da reunião, a cruzada será contra os plásticos. Uma pesquisa divulgada na Assembleia mostra os 15 países que mais produzem lixo plástico no mundo e – ufa! – pelo menos nessa lista o Brasil não está. Em primeiríssimo lugar, disparado na frente, vem a China, seguida pela Indonésia, Filipinas, Vietnam. Em décimo lugar está Bangladesh e logo depois, em décimo segundo lugar, vem a Índia.

Quais serão os primeiros a serem cooptados para embarcarem no trem dessa cruzada? As empresas, disse à BBC News o Ministro da Indústria da Noruega, Vidar Helgesen. É preciso dar incentivos, mostrar o quanto pode atrapalhar bons negócios se a produção for suja, não levar em conta a poluição. Por outro lado – sim, sempre existe o outro lado – as empresas de plástico estão muito preocupadas e espalharam o rumor de que se todos os países realmente se juntarem para diminuir drasticamente o uso de plástico no mundo vai haver um desemprego em massa.

Na África, onde aconteceu a reunião da ONU, muitas cidades já estão proibindo o uso de plásticos para embalar coisas, por exemplo. E os comerciantes até se espantaram porque descobriram que as frutas se conservam mais em cestas de palha do que abafadas em sacos.

Em Bangladesh, segundo reportagem da BBC News, os sacos plásticos bloquearam as principais redes de escoamento de águas da chuva, provocando inundações terríveis em 2002. Desde então, o governo daquele país proíbe as pessoas de usarem. Não sei se oferecem uma boa alternativa, porém. Porque, de verdade, deixamos que o plástico invadisse tanto as nossas vidas que é difícil imaginar o dia a dia sem algum objeto de plástico.

Seja como for, é bom que o fim da poluição, principalmente causada por plástico, esteja em pauta.A campanha lançada pela ONU meio ambiente (oficialmente chamada de Pnuma, que vem a ser Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), na reunião em Nairobi, é #acabecomapoluição. E, ainda segundo informações fornecidas pelo próprio site da ONU, atingiu quase 2,5 milhões de compromissos, com 88 mil compromissos pessoais de ação.

Como se sabe, porém, é grande a distância entre intenção e gesto. Mas, mesmo entendendo que há problemas mais emergenciais nesse mundo à espera de soluções, como a crise vivida pelos refugiados, não dá para fechar olhos e ouvidos aos dados divulgados pela ONU: “A degradação ambiental causa uma em cada quatro mortes no mundo, o mesmo que 12,6 milhões de pessoas por ano, bem como a destruição generalizada de ecossistemas-chave. E a poluição do ar é o maior assassino ambiental, responsável pela morte de 6,5 milhões todos os anos”, diz o texto no site.

Outro relatório divulgado na reunião na África, da Comissão Lancet, sobre Poluição e Saúde diz que as perdas de bem-estar relacionadas à poluição são estimadas em mais de US$ 4,6 trilhões de dólares ao ano, o equivalente a 6,2% da produção econômica global. Isso é transformar em capital uma perda que vai muito além da econômica.

Qualidade de vida inclui saúde, inclui lazer, prazer, contato com o entorno, segurança, educação, informação que, de fato, agregue algo à vida de cada um. Para isso, o cidadão ou cidadã precisa saber que tem também alguns ônus a pagar. Entre eles, prestar atenção ao redor e fazer contato com a biodiversidade. Por isso, todos nós, da próxima vez que jogarmos fora uma garrafa ou um saco plástico, deveríamos  pensar naquele filhote de albatroz, uma das aves mais lindas que há, morto por causa de um palito.

Fonte: Ambiente Brasil | www.ambientebrasil.com.br
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Capacitação sobre Financiamento Climático

Ministério discute financiamento climático

Via: Ambiente Brasil

Pela primeira vez o Brasil recebe o evento internacional Capacitação sobre Financiamento Climático. O evento começou nesta segunda-feira (11/12) e vai até quinta-feira (14/12), em Brasília.  O objetivo é promover a busca de ações de financiamento para mitigação da mudança do clima e adaptação a seus efeitos. Participam do evento representantes do governo federal, do setor privado e da academia.

A iniciativa ocorre no âmbito do Programa sobre Políticas em Mudança do Clima (PoMuC),  implementado por meio da atuação coordenada do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Ministério da Fazenda e da Cooperação Técnica Alemã (GIZ), em parceria com outras instituições.

O objetivo do PoMuC é apoiar áreas selecionadas da Política Nacional sobre Mudança do Clima para que sejam implementadas com sucesso. O Programa atua nos seguintes eixos: Sistema de transparência; Redução das Emissões provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD+); Adaptação; Fundo Clima; Financiamento; Relato de Emissões e Gestão de conhecimento.

“O evento é de extrema relevância em função do cenário que o Brasil vem enfrentando em termos do desafio de limitar os gastos públicos”, explicou o diretor de Monitoramento, Apoio e Fomento de Ações em Mudança do Clima do MMA, Adriano Santhiago. “Precisaremos mobilizar iniciativas inovadoras de financiamento com relação à mudança do clima”, acrescentou.

De acordo com ele, o Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento a apresentar uma Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) voltada para o conjunto da economia. “Nós teremos que reduzir 37% das emissões de gás do efeito estufa em 2025, comparando com o ano de 2005. E há uma contribuição indicativa de redução de 43% em 2030, também com base em 2005. Para tanto, a necessidade de inovar na área de financiamento é muito importante”, explicou.

CRIATIVIDADE

Santhiago acredita que o Brasil terá que, cada vez mais, buscar recursos internacionais e fazer uso de mecanismos financeiros previstos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, provindos de fundos, acordos bilaterais e outras possibilidades que serão discutidas na capacitação. “O Brasil vai ter que ser muito inovador e criativo na busca de implementar sua NDC”, finaliza.

A diretora do POMuC pela GIZ, Anja Wucke, chamou a atenção para a importância do tema. “Dos sete componentes da política, dois tratam sobre financiamento”, afirmou. Ela disse que as metas da NDC estão colocadas e que o Brasil precisa encontrar os caminhos para implementá-las.

“A capacitação tem o conteúdo desenvolvido internacionalmente sem foco nos países. No futuro, podemos propor um material específico para o Brasil partindo-se das discussões feitas aqui. Esperamos uma rica troca de experiências com essa mistura de representantes dos setores aqui representados”, disse.

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Brasil tem ano com o maior número de queimadas da história

Brasil tem ano com o maior número de queimadas da história

Via: Ambiente Brasil

Com 270.479 focos de incêndio, 2017 já é o recordista em número de queimadas de toda a série do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), iniciada em 1999. E o ano nem acabou.

O mês de setembro é um dos grandes responsáveis pelo dado histórico. Foram 110.988 pontos de calor registrados – número nunca antes atingido em apenas 30 dias no país e que representa mais de 40% do total do ano. Em dezembro, são 6.873 focos em apenas nove dias (a média mensal é 8.836).

Na comparação com todo o ano passado, já há um aumento de 44% no número de focos de calor.

Para o pesquisador Alberto Setzer, responsável no Inpe por coordenar o monitoramento de queimadas no país, a estiagem prolongada em boa parte dos estados e a ausência de fiscalização estão entre as principais causas da propagação do fogo.

Vários estados ficaram sem precipitação, propiciando que os incêndios se alastrassem e atingissem áreas maiores, diz. “Mas o principal foi o descontrole por parte da fiscalização, porque a gente está falando em crimes sendo cometidos.”

Ele cita o caso de Mato Grosso, onde houve um decreto proibindo queimadas, cujo período foi, inclusive, estendido. “Mesmo assim, não foi observada nenhuma alteração no uso do fogo. Pelo contrário, aumentou tremendamente.” O estado teve quase 44 mil focos neste ano.

O Pará também teve um ano atípico. O estado já teve, até agora, mais de 64 mil focos de incêndio – um aumento de 118% em relação ao ano passado. O número é bem maior que o registrado em 2004 (47.822), até então o ano com o maior número de queimadas.

As unidades de conservação também foram devastadas pelo fogo. a área atingida é a maior que a do ano passado, de acordo com dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pelas unidades.

Parte considerável da destruição ocorreu no Parque Nacional da Chapada do Veadeiros, que passou pelo maior incêndio da sua história. O fogo só foi controlado após 68 mil hectare serem atingidos.

Setzer diz que é esperado que o número de focos diminua no ano que vem, mas alerta para o descontrole em novas fronteiras agrícolas, como pôde ser observado em Mato Grosso e no Pará. “Em geral, do ponto de vista do clima, é difícil ter anos consecutivos com o mesmo padrão. Então é esperado que 2018 seja mais úmido, mesmo sendo complicado prever. Mas mais que isso, quando há muitas queimadas, a vegetação seca é consumida. Então a matéria orgânica disponível para a queima diminui muito”, afirma.

Pelo mundo

Não foi só o Brasil que viveu um ano complicado. Várias queimadas já atingiram a Califórnia,  nos Estados Unidos, obrigando, inclusive, retiradas em massa. A primeira morte em decorrência do fogo foi confirmada nesta sexta-feira(8).

Em Portugal e na Espanha, diversas regiões sofreram com os incêndios florestais, que deixaram ao menos 40 mortos.

Monitoramento

O monitoramento por satélite do Inpe consegue diagnosticar todos os focos de incêndio que tenham pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura.

Quase todas as queimadas hoje são causadas pelo homem, seja de forma proposital ou acidental. As razões variam desde limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos e colheita manual de cana-de-açúcar até disputas por terras e protestos sociais.

Segundo o Inpe, as queimadas destroem a fauna e a flora nativas, causam empobrecimento do solo e reduzem a penetração de água no subsolo, além de gerar poluição atmosférica com prejuízos à saúde de milhões de pessoas e à aviação. Denúncias de incêndios criminosos podem ser feitas ao Corpo de Bombeiros, às prefeituras, às secretarias estaduais do Meio Ambiente e ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Fonte: Ambiente Brasil | www.ambientebrasil.com.br
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Fórum Mundial em Brasília busca alternativa para o futuro da água

Fórum Mundial em Brasília busca alternativa para o futuro da água

Via: Exame

Maior evento mundial sobre o tema ocorre entre os dias 18 e 23 de março de 2018 e vai buscar respostas e soluções para os principais problemas hídricos

Dentro de 100 dias, cerca de 30 mil pessoas deverão participar do 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, que tem como lema principal compartilhar água.

Entre os dias 18 e 23 de março de 2018, o maior evento mundial dedicado ao uso da água vai buscar respostas e soluções para os principais problemas sobre recursos hídricos.

Realizado pela primeira vez em 1997, pelo então recém-criado Conselho Mundial da Água (com sede permanente na cidade de Marselha, na França), o fórum, que ocorre a cada três anos, nunca foi sediado em um país do Hemisfério Sul. Ao todo, já ocorreram sete edições do evento na África, América, Ásia e Europa.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador de uma das comissões do fórum, Glauco Kimura, explica que o encontro buscará alternativas para que as futuras gerações possam ter água disponível.

“Nós trabalhamos com três propósitos: mobilizar a sociedade para o tema da água; promover a troca de experiências, que é fantástica, e criar o ambiente político favorável”, diz.

Para Kimura, o fórum não tem caráter de engajamento político, a exemplo das conferências internacionais – como as convenções do Clima, da Biodiversidade, de Quioto, entre outras – nas quais os países se comprometem com objetivos e metas a serem alcançados. A ideia é que os debates levem a um comprometimento não só de governos, mas da sociedade.

Propostas para discussão

O tema água foi dividido em cinco eixos: Processo Temático, Processo Regional, Processo Político, Grupo Focal de Sustentabilidade e Fórum Cidadão.

Glauco Kimura coordena a comissão do Fórum Temático, responsável pela programação do fórum, definida por representantes de diferentes grupos ligados à questão da água.

Ele conta que a comissão foi constituída seguindo o padrão já estabelecido desde o primeiro fórum, realizado no Marrocos.

“Fizemos chamadas públicas para que as organizações envolvidas na questão da água apresentassem suas propostas e indicassem seus painelistas. E esse modelo foi adotado pelas outras comissões. Com isso, estamos montando a grade programática que será composta por sessões de cada processo [eixo] que vão dar o conteúdo do fórum”.

No eixo Processo Regional, a questão da água será tratada do ponto de vista de cada região do mundo. “Cada região tem com a água problemas específicos e soluções diferentes entre si. E essa diversidade vai enriquecer seguramente as sessões de debates”.

No Fórum Político, o objetivo é “incentivar o engajamento das autoridades políticas locais e regionais, como parlamentares, prefeitos e governadores, na participação de atividades e encontros direcionados ao tema água, porque soluções na gestão da água não podem ser implementadas senão por decisões políticas, de lideranças fortes”.

O eixo Sustentabilidade é novo na agenda e vai abrir o leque para a discussão da água quanto sua importância social, econômica e ambiental, e para o desenvolvimento de modelos de gestão mais sustentáveis.

Outra novidade é o Fórum Cidadão, que vai permitir a expansão do debate para o público presente ao evento.

“O que se quer é despertar a consciência e chamar a atenção do cidadão comum para assuntos relacionados à água como algo do seu interesse. E ao mesmo tempo, detectar soluções inovadoras para tendo presente o tema ‘Compartilhando Água”, destaca Kimura.

Ele lembra que haverá ainda o painel de alto nível no qual estarão presentes chefes de Estados, ministros e CEOs de grandes corporações, e quando sairá um posicionamento político.

“Essa declaração não terá um caráter vinculante como os documentos produzidos nas conferências internacionais, mas será sempre uma declaração de compromisso com a questão da água. Porque o fórum tem um caráter de engajamento político que deve influenciar mais adiante decisões políticas sobre o uso e o compartilhamento da água do planeta”, avalia o coordenador.

Entre as presenças confirmadas está o rei Guilherme Alexandre, da Holanda, conhecido pelo seu engajamento com a questão da água, tendo presidido até 2013 o Conselho Consultivo sobre Água e Saneamento da Secretaria-Geral das Nações Unidas.

Outras vozes

Também pela primeira vez, o Fórum Mundial da Água se propôs a ouvir as pessoas que estejam interessadas em colaborar e influenciar as discussões. Foi criado o canal Sua Voz (Your Voice) no site do fórum como uma plataforma para todos que queiram participar com ideias, sugestões e propostas.

Já na primeira rodada, entre 13 de fevereiro e 23 de abril, mais de 20 mil visitantes passaram pelas salas de discussão, deixando mais de 500 sugestões.

A plataforma ficará aberta até janeiro próximo para uma próxima rodada de discussões e, segundo Kimura, a inovação deste fórum vai focalizar especificamente os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU na Agenda 2030.

Desse modo, os debates dentro das seis salas do canal deverão abordar o desenvolvimento sustentável sob diversos pontos de vista.

“Qualquer cidadão vai poder se inscrever e apresentar sua ideia, sugestão ou proposta numa das salas que foram divididas por tema. Você tem a sala do Clima onde a discussão vai girar em torno da segurança hídrica e das mudanças climáticas. Em outra sala, que tem as pessoas como tema, o debate será basicamente sobre saneamento e saúde”.

Os outros quatro temas são: Desenvolvimento, Ambientes Urbanos, Ecossistemas e Finanças.

Kimura destaca ainda o Business Day (Dia de Negócios) como exemplo da participação diversificada no fórum.

“É um evento para troca de experiências de inovação entre empresas – desde as grandes corporações até empresas de pequeno e médio portes que mostrarão seus projetos para o melhor uso e preservação da água. Há espaço para aqueles projetos de tecnologia de baixo custo e de alcance social”.

Legado

Todo esse esforço para juntar ideias, propostas e sugestões vindas de fontes tão diversas vai resultar em relatório final, a ser publicado em agosto de 2018.

“O documento deverá conter o que nós chamamos de Implementation Road Map, que vai reunir as recomendações sobre tudo aquilo que deveria ser feito para a preservação e o bom uso da água, por quais organizações poderia ser feito e em que setores da sociedade”, diz o coordenador.

Essas recomendações surgirão do debate e da análise das centenas de propostas que serão recolhidas nas diversas instâncias do fórum.

Para conseguir que todas essas informações sejam consideradas e nenhuma delas se perca, a Universidade de Brasília (UnB) vai atuar com 100 bolsistas na coleta desses dados que irão depois para a NC/Dream Factory, a empresa oficial do fórum.

“Quando você reúne ideias e soluções oriundas de países e regiões diferentes você vai acabar encontrando complementaridade entre elas e às vezes sobreposição. Por exemplo, suponhamos o caso de um rio poluído em uma região metropolitana da América do Sul que surge na discussão e encontra o caso de outro rio poluído numa região agrícola da Ásia. São dois casos que podem ter diferenças e ao mesmo tempo problemas semelhantes, mas que podem vir a ter soluções em comum”, avalia Kimura.

Para ele, com a presença de representantes de diversas partes do planeta, o 8º Fórum Mundial da Água poderá, de algum modo, amplificar o alerta que vem sendo feito desde a criação do Conselho Mundial da Água, em 1996: “As pessoas precisam ser lembradas de que ninguém sobrevive sem água”.

Fonte: Exame | www.exame.abril.com.br
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Emissões globais voltam a subir em 2017 — e isso não é nada bom

Emissões globais voltam a subir em 2017 — e isso não é nada bom

Via: Exame

Janela de oportunidade para o mundo evitar mudanças climáticas perigosas está cada vez mais estreita

São Paulo – Depois de três anos estáveis, as emissões globais de CO2 devem voltar a crescer este ano segundo estudo divulgado na COP23, reunião da ONU sobre as mudanças climáticas, que ocorre em Bonn, na Alemanha.

No final de 2017, as emissões globais de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis e das atividades industriais deverão aumentar em cerca de 2% em relação ao ano anterior.

Isso significa que a janela de oportunidade para o mundo manter oaquecimento do planeta bem abaixo de 2 graus Celsius (ºC), e menos ainda de 1,5ºC para evitar mudanças climáticas perigosas até o final do século, está se estreitando.

A conclusão é do relatório Orçamento Global de Carbono 2017 publicado pelo Global Carbon Project (GCP) na revista Environmental Research Letters. O estudo foi produzido por 76 cientistas de 57 instituições de pesquisa em 15 países que trabalham sob o guarda-chuva do GCP.

Os números apontam a China como a principal causa da alta das emissões de combustíveis fósseis, com um crescimento projetado em 3,7% até o final do ano, após dois anos de redução.

As emissões de CO2 deverão diminuir em 0,4% nos Estados Unidos e 0,2% na União Européia, ritmo bem inferior aos declínios registrados na década anterior.

No entanto, a equipe disse que, apesar do crescimento em 2017, é muito cedo para dizer se este é um evento isolado no caminho para um pico global de emissões, ou o início de um novo período de crescimento das emissões globais do gás de efeito estufa.

Para os pesquisadores, porém, é improvável que as emissões voltem às altas taxas de crescimento persistentes observadas durante os anos 2000, de mais de 3% ao ano.

Concentração de CO2

Relatório recente da Organização Meteorológica Mundial (OMM) mostrou que os níveis globais de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiram 403,3 partes por milhão (ppm) em 2016, ante 400 ppm em 2015.

A organização atribuiu esse aumento abrupto à combinação entre atividades humanas, como desmatamento e queima de combustíveis fósseis, e o forte fenômeno El Niño registrado naquele ano.

A cada ano, as atividades humanas produzem mais CO2 do que os processos naturais podem absorver. Isso significa que o valor líquido de dióxido de carbono atmosférico nunca diminui.

Assim, o acúmulo anual do gás segue subindo. Nos últimos 10 anos, a quantidade de CO2 na atmosfera tem aumentado, em média, 2 partes por milhão por ano.

Fonte: Exame | www.exame.abril.com.br
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Maior programa ambiental do Brasil alcança meta em ano difícil

Maior programa ambiental do Brasil alcança meta em ano difícil

Via: Exame

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, iniciativa permitiu que desmatamento fosse 2,3 vezes menor nas áreas fazem parte do programa

O programa do governo Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), maior iniciativa de preservação de florestas tropicais do mundo, alcançou sua meta de salvaguardar 60 milhões de hectares (superfície equivalente à da França), anunciou nesta sexta-feira o Ministério do Meio Ambiente.

O ministro Sarney Filho afirmou que a iniciativa, lançada em 2002, permitiu que nestas áreas o desmatamento fosse 2,3 vezes menor do que nas unidades de conservação que não fazem parte do programa.

A meta alcançada equivale a 15% da Amazônia brasileira.

O Arpa teve início em 2002, com financiamento público e privado, visando a proteger 40 milhões de hectares da Amazônia brasileira, uma meta ampliada a 60 milhões em 2014.

O Arpa capta financiamento, entre outros, do Global Environment Facility, do governo alemão, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e do Fundo Amazônia (administrado pelo BNDES), com o propósito de consolidar um modelo de desenvolvimento sustentável como alternativa à exploração ilegal de recursos.

Neste momento, engloba 117 unidades de conservação, distribuídas nos nove estados da Amazônia brasileira.

Em 2012, foi criado um fundo que deve captar até US$ 215 milhões para garantir seu financiamento.

Para Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, “o programa Arpa acaba servindo como um buffer no combate de possíveis retrocessos na agenda ambiental”, devido a que a captação de recursos internacionais implicou assinar compromissos na área de conservação.

“O governo assumiu esses compromissos e não pode perder o risco de perder os investimentos”, disse Voivodic à AFP.

A política ambiental e indígena do presidente Michel Temer (PMDB) tem sido alvo este ano de críticas nacionais e internacionais. O governo se viu obrigado a voltar atrás em casos emblemáticos, como o de um projeto que pretendia abrir à mineração privada um território de 46.450 km2 em plena Amazônia.

A Noruega – que contribui com o Fundo Amazônia – advertiu que os índices de desmatamento poderiam levar a um corte de recursos em programas de proteção ambiental.

“Momento difícil”

“Tentativas de retrocesso houve, trapalhadas também houve, tentativas existem ainda e provavelmente vão continuar existindo, mas são só tentativas”, afirmou Sarney Filho em entrevista por telefone à AFP.

Temer fez este ano grandes concessões a grupos de pressão parlamentares para impedir que duas denúncias de corrupção contra ele chegassem ao Supremo Tribunal Federal.

Mas segundo o ministro, a agenda ambiental do governo é “muito boa”.

“Nós temos que ficar lutando, temos que resistir nesse momento difícil, um momento sensível em que o Congresso tem uma força muito grande”, com bancadas que, “muitas vezes, não compreendem em sua plenitude a necessidade de determinadas ações (…) para conter o desmatamento”, afirmou.

Sarney Filho afirma que as críticas recebidas são de índole política e as minimiza com números do Instituto Nacional de Estudos Espaciais (Inpe), que mostram que o desmatamento caiu 16% entre julho de 2016 e agosto deste ano.

O ministro sustenta, ainda, que o desafio é “valorizar a floresta em pé”, com propostas como mecanismos financeiros “que compensem a Amazônia pelos serviços que presta”.

Também defende aumentar a cooperação com o setor privado no manejo de parques nacionais. A entrada da iniciativa privada “é um terma aberto”, comentou, ressaltando o exemplo do Arpa.

Para Voivodic, do WWF-Brasil, que acredita que o tema ambiental entrará na agenda eleitoral brasileira em 2018, a execução do programa permitiu desenvolver uma “infraestrutura verde” na Amazônia e “isso já é um grande fator que age como protetor independente da vontade política”.

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Energia solar brilha com força nos países emergentes

Energia solar brilha com força nos países emergentes

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No acumulado, a capacidade de geração de energia solar cresceu 54% em um ano e mais do que triplicou em três anos

A capacidade adicionada em 2016 seria suficiente para suprir a demanda anual de eletricidade de 45 milhões de residências na Índia ou de todo o consumo residencial do Peru ou da Nigéria.

Com 27 gigawatts instalados no ano passado, a China respondeu pela maior parte do salto energético, seguida da Índia, que adicionou 4,2 gigawatts.

Brasil, Chile, Jordânia, México, Paquistão e nove outros países viram sua capacidade fotovoltaica instalada dobrar ou mais do que dobrar em 2016, segundo o estudo.

No geral, a energia solar respondeu por 19% de toda a capacidade de geração de energia adicionada nos países pesquisados pelo Climatescope no ano passado, crescendo de 10,6% em 2015 e 2% em 2011.

Fontes da mudança

Melhorias tecnológicas, reduções de custos de equipamentos e o crescente interesse em micro-redes estão impulsionando esse crescimento, segundo a BNEF.

Além disso, a cada dia, surgem aplicações inovadoras para a fonte renovável, como o uso em sistemas de bateria com cargas pré-pagas, o chamado “pay as you go” (ou PAYG, na sigla em inglês), bombas de água e até torres de telefonia móvel estão se proliferando alimetadas pela luz solar.

Os analistas da BNEF observam que esses esforços em geral são liderados por empreendedores e investidores de risco e se multiplicam sem grandes impedimentos por parte dos governos.

Na maioria das vezes, a iniciativa parte de startups, que buscam financiamento de fontes privadas e fazem parcerias com grandes corporações, como provedores de telecomunicação.

Um exemplo dessas parcerias vem da África, onde mais de 1,5 milhão de famílias utilizam sistemas móveis solares em suas residências que foram adquiridos com ajuda de um plano de financiamento.

Esse modelo de negócio deixou de ser um nicho no mercado de financiamento de energia solar da África e foi usado em alguns dos maiores contratos fechados este ano e também já é encontrado em áreas agrícolas na Índia, diz a BNEF.

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Estudo liga desaceleração da Terra a aumento de terremotos e prevê mais tremores devastadores em 2018

Estudo liga desaceleração da Terra a aumento de terremotos e prevê mais tremores devastadores em 2018

Via: Ambiente Brasil

Um estudo de dois pesquisadores americanos está propondo uma nova abordagem sobre os terremotos e sugerindo que pode haver mais tremores de grande intensidade em 2018.

Segundo a pesquisa, existe uma correlação entre o aumento periódico no número de grandes terremotos e a diminuição da velocidade de rotação da Terra – o movimento do planeta para dar uma volta em seu próprio eixo.

Quando a Terra gira mais lentamente, leva um pouco mais de tempo para completar uma volta completa, fazendo com que o dia fique ligeiramente maior que 24 horas – podendo ganhar alguns microssegundos. Até aí, não há novidade. A questão é que os pesquisadores estão dizendo que essa pequena mudança também pode aumentar a quantidade de fortes terremotos.

Mas esse efeito não seria imediato. Demoraria cerca de cinco anos para ser sentido. Como a rotação da Terra começou a desacelerar em 2012/2013, o próximo aumento no número de terremotos poderia ocorrer em 2018, aponta a pesquisa.

“Nós estamos sugerindo que o aumento no número de terremos deve começar logo”, afirmou para a BBC Brasil a pesquisadora Rebecca Bendick, da Universidade de Montana, responsável pelo estudo em conjunto com Roger Bilham, da Universidade do Colorado.

Eles apresentaram os resultados no encontro anual da “Geological Society of America”, nos Estados Unidos, no final de outubro.

“Nós não podemos prever a desaceleração ou aceleração na rotação da Terra, mas podemos detectá-la através de observações astronômicas e relógios atômicos. E, se nossa hipótese estiver correta, isso pode ser capaz de nos alertar sobre o aumento no número de terremotos cinco anos antes”, continua Bendick.

Bendick cita uma palavra importante: hipótese. Ainda não há prova científica de os dois fenômenos estejam relacionados.

Como a pesquisa foi feita

Primeiro, os cientistas verificaram os registros históricos de grandes terremotos, desde 1900. Ali, identificaram picos de atividade sísmica de grande intensidade a cada 30 anos, aproximadamente – em 1910, 1943, 1970 e 1998. O próximo ciclo seria justamente em torno de 2018.

Enquanto em um ano comum poderiam ocorrer cerca de 15 grandes terremotos em todo o mundo, nos anos de pico esse número poderia subir para 20.

Em seguida, os pesquisadores começaram a procurar outros fenômenos da Terra que tivessem uma periodicidade semelhante. Foi aí que testaram a desaceleração no movimento de rotação. “Quando nós comparamos as duas séries temporais, elas eram muito correlacionadas”, afirma Bendick.

É como se, durante esse pico, os terremotos funcionassem como “células nervosas ou baterias, que requerem alguma carga antes que possam descarregar”, compara a pesquisadora. E a rotação mais lenta da Terra poderia gerar essa “carga”. Os pesquisadores ainda não tem uma hipótese sobre por que isso ocorreria.

O que poderia ser feito para mitigar os danos?

Os pesquisadores esperam que essa prevista janela de cinco anos de antecipação ajude as pessoas a minimizarem o impacto dos terremotos.

“O efeito é mais pronunciado em áreas onde já há muitos terremotos. Então, faz sentido que as pessoas fiquem preparadas, especialmente antes desses intervalos em que o risco de tremores mais danosos aumenta”, continua Bendick.

Entre as medidas individuais que podem ser tomadas, ela cita ter um kit de emergência e fazer um plano de evacuação entre a família e os amigos.

“Esse tipo de alerta antecipado nos dá uma chance de nos prepararmos, em vez de apenas nos preocuparmos.”

O estudo faz uma ressalva: não seria possível saber onde os terremotos “extras” ocorreriam. O fato é que a maior parte dos tremores mais fortes acontece perto da linha do equador, cita a pesquisa. Uma explicação para isso é que essa área sofre os maiores impactos da mudança de velocidade de rotação da Terra, porque sua forma se altera mais.

“Um exemplo impressionante é que, desde 1900, mais de 80% dos tremores mais fortes nas bordas leste da placa tectônica do Caribe ocorreram nos cinco anos seguintes à máxima desaceleração da Terra”, diz o estudo apresentado no encontro de Geologia.

Nada disso, contudo, diz respeito ao Brasil. “O Brasil não é muito ativo sismicamente. É uma boa notícia”, brinca Bendick.

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De radiação em satélites a tempestades solares, como uma mudança nos polos magnéticos da Terra pode nos afetar

De radiação em satélites a tempestades solares, como uma mudança nos polos magnéticos da Terra pode nos afetar

Via: Ambiente Brasil

Nosso campo magnético cria uma bolha protetora dentro da qual todos nós podemos viver’, explica cientista.O planeta Terra é uma esfera rochosa que contém, em seu interior, ferro líquido incandescente, em constante movimento e carregado eletricamente.Essas correntes elétricas geram um campo magnético que envolve o planeta e protege a Terra contra a radiação espacial – mais especificamente, do Sol.

Para se ter uma ideia da importância desse escudo protetor, basta observar o que acontece em outros planetas.

“Marte, por exemplo, tem um campo magnético muito fraco, por isso não tem muita atmosfera. Os ventos solares levaram embora toda a atmosfera do planeta. Essa é uma diferença crucial entre a Terra e Marte. Nosso campo magnético cria uma bolha protetora dentro da qual todos nós podemos viver”, explica à BBC Brasil o geofísico Phil Livermore, professor e pesquisador da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra.

A “bolha protetora”, no entanto, está sujeita a instabilidades e muda constantemente. Ao longo de sua história, o planeta Terra vivenciou centenas de episódios conhecidos como “reversões magnéticas”, nos quais a bolha perde força e os polos magnéticos norte e sul trocam de lugar.

“Quando o centro da Terra está estável, sem grandes mudanças, a polaridade norte e sul se mantém. Mas, de repente, acontece alguma coisa, uma ‘tempestade’ no centro da Terra, que afeta esse equilíbrio”, diz Livermore.

Segundo ele, as tempestades são como redemoinhos de líquido – tal qual as tempestades que ocorrem na atmosfera – associados a mudanças no campo magnético local.

“Basicamente, elas afetam o equilíbrio, assim como tempestades na atmosfera.”

“Isso faz com que uma área de polaridade reversa cresça. Se essa área cresce o suficiente, (a polaridade de) todo o centro será revertida”, afirma o especialista.

Também podem ocorrer reversões temporárias e incompletas, nas quais os polos magnéticos se distanciam dos polos geográficos. Às vezes, chegam a cruzar o Equador – e depois voltam para suas posições originais, conta Livermore.

Quando será?

Para os especialistas, a questão é saber quando acontecerá a próxima reversão e como isso afetará a população.

Livermore e seus colegas calculam que uma nova reversão magnética é iminente. E baseiam suas suposições em algumas pistas.

Estudos indicam que o campo magnético da Terra vem encolhendo 5% a cada século. Durante uma reversão magnética, o campo protetor da Terra fica bastante reduzido, podendo chegar a apenas 10% de sua força.

Além disso, vestígios deixados por reversões magnéticas em rochas muito antigas mostram que as reversões acontecem algumas vezes a cada 1 milhão de anos.

A última reversão completa, a Brunhes-Matuyama, ocorreu há 780 mil anos. Uma reversão temporária, o evento Laschamp, aconteceu há 41 mil anos.

Com base nesses fatores, os cientistas concluíram que “está na hora” de acontecer mais uma reversão.

Mas não há motivo para pânico.

“O que sabemos é que a reversão não vai acontecer amanhã”, diz Livermore.

“Só temos os vestígios deixados nas rochas como pista, mas, com base neles, calculamos que levou mil anos para (ocorrer a) a última reversão completa. Então, mesmo se ela começasse hoje, ainda levaria um bom tempo.”

Sobrevivência humana

A boa notícia, segundo o especialista, é que a vida na Terra sobreviveu a centenas de reversões magnéticas ao longo da história do planeta.

“Humanos sobreviveram ao evento Laschamp (que não foi uma reversão completa) há 41 mil anos. Ele durou mil anos e a mudança na polaridade durou cerca de 250 anos”, afirma.

Sem eletricidade e sem GPS

Em artigo publicado no site The Conversation, Livermore diz, no entanto, que não é possível saber ao certo o real impacto de uma reversão completa sobre a espécie humana, já que o homem moderno não existia durante a última reversão magnética completa, há quase 800 mil anos.

Mas os cientistas fazem algumas previsões.

As alterações no campo magnético da Terra durante uma reversão enfraquecerão seu efeito de escudo, levando a um aumento nos níveis de radiação na superfície da Terra.

Se isso acontecesse hoje, a radiação poderia afetar a frota de satélites de comunicações, aviões e a rede elétrica.

Sem satélites, sistemas bancários, meteorologia, comunicações, operações militares, tecnologias à base de GPS, tudo isso deixaria de funcionar.

Com a rede elétrica comprometida, sistemas de aquecimento, aparelhos de ar-condicionado, transportes, hospitais e indústrias também seriam afetados.

Animais que, supostamente, usam o campo magnético da Terra para orientação – como baleias e algumas espécies de pássaros – também seriam atingidos, sugerem alguns especialistas.

Radiação decorrente de mudanças no campo magnético poderia afetar a frota de satélites de comunicações, aviões e a rede elétrica”Outros levantam também a hipótese de que reversões magnéticas possam estar relacionadas a extinções em massa e, portanto, plausivelmente, ao aquecimento global”, acrescenta Livermore.

“No entanto, não existe consenso em relação a isso.”

Além disso, sem o escudo protetor, ficaríamos muito mais vulneráveis às chamadas tempestades solares, que bombardeiam a Terra com energia vinda do Sol.

Em 2003, uma tempestade solar batizada de Halloween Storm provocou apagões na Suécia e obrigou companhias aéreas a alterarem rotas de aeronaves para evitar os riscos causados pela radiação e problemas de comunicação. Satélites e sistemas de comunicação também foram afetados.

Previsão do tempo no centro da Terra

Os riscos associados às tempestades solares preocupam os cientistas, em particular, aqueles que estudam o sol e tentam descobrir formas de “prever o tempo” solar.

Enquanto isso, geofísicos como Phil Livermore se dedicam a tentar entender o que acontece – e fazer a previsão do tempo – no interior do planeta Terra.

No total, 3 mil quilômetros de rocha nos separam do centro da Terra. No entanto, são as leis da física que regem o movimento do ferro líquido no centro do planeta.

Segundo Livermore, com base nessas leis, deveríamos ser capazes de monitorar esse movimento e prever o tempo lá embaixo – da mesma forma que fazemos a previsão do tempo real ao observarmos a atmosfera e o oceano.

Com base nessas observações, deveríamos então, a princípio, ser capazes de associar reversões no campo magnético do planeta a um tipo particular de tempestade no centro da Terra.

O pesquisador e sua equipe ainda estão longe de alcançar a meta, mas acreditam ter identificado uma “corrente marítima” no interior do planeta.

“Sabemos que o ferro líquido se move e que o movimento provoca mudanças no campo magnético. Ultimamente, tem havido muitas alterações no campo magnético perto do Polo Norte.”

“Acreditamos que possam estar vinculadas a uma corrente”, completa.

Essas correntes seriam como riachos de ferro líquido correndo dentro da massa de ferro incandescente.

“Sabemos que o centro da Terra está em constante movimento, mas nunca havíamos visto mudanças tão rápidas no campo magnético.”

Mas como os especialistas concluíram isso? Para responder, Livermore recorre a uma metáfora:

“Imagine que há folhas flutuando na superfície de um rio. Quando as folhas se movem, sabemos que o que está se movendo, na verdade, é a água.”

O rio, explicou o especialista, é o centro da Terra. E as folhas são partes do campo magnético.

“Não podemos ver o centro da Terra, mas se observamos algo que se move na superfície, podemos ver como o centro está se movendo.”

“A ideia de um dia sermos capazes de prever o tempo no centro da Terra já não parece tão inatingível”, conclui.

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Por que as árvores crescem mais rápido nas cidades do que no campo?

Por que as árvores crescem mais rápido nas cidades do que no campo?

Via: Ambiente Brasil

As cidades não parecem, à primeira vista, o ambiente mais propício para o desenvolvimento de vegetação.

Mas, de acordo com um estudo recente da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, as árvores crescem curiosamente mais rápido em áreas urbanas e metropolitanas do que em bosques ou zonas rurais.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao comparar informações de 1,4 mil árvores em dez cidades do mundo – como Paris, Santiago, Berlim e Cidade do Cabo – com exemplares da mesma espécie em áreas de natureza selvagem.

Segundo eles, o crescimento acelerado da vegetação em áreas urbanas se deve aos efeitos das “ilhas de calor” – fenômeno climático em que a temperatura aumenta em cidades com alto grau de urbanização, devido à concentração de edifícios, ruas asfaltadas, sistemas de aquecimento e intensa circulação de veículos, entre outros fatores.

Essa diferença de temperatura pode variar de 3°C até 10°C.

“Podemos afirmar que as árvores urbanas são maiores que os mesmos exemplares de sua espécie da mesma idade que crescem em áreas rurais porque crescem mais rápido ali”, explica o pesquisador Hans Pretzsch, coautor do estudo.

O estudo

Os pesquisadores selecionaram árvores mais maduras de espécies predominantes em cada cidade e em seus arredores, escolhidas por representarem diferentes tipos de clima.

Em Santiago, única cidade da América Latina analisada, a espécie escolhida foi a Robinia pseudoacacia, conhecida como falsa acácia.

É possível encontrar essa árvore por toda capital chilena.

Originária do sudeste dos Estados Unidos, onde o clima é temperado e úmido, essa espécie também pode crescer facilmente em condições mais secas.

De acordo com o estudo, a diferença de tamanho se mostrou mais evidente em árvores de 50 anos (crescimento de cerca de 25%) e menos acentuada (cerca de 20%) em árvores de 100 anos.

Efeitos das ‘ilhas de calor’

Segundo os cientistas, a “ilha de calor” acelera o crescimento das árvores de duas maneiras.

Por um lado, o aumento da temperatura estimula a fotossíntese. Por outro, prolonga o período de vegetação, estendendo a época do ano em que as árvores podem crescer.

O crescimento acelerado vem acompanhado, no entanto, de um ponto negativo: as árvores também envelhecem mais rapidamente.

Isso significa que, quando as árvores são plantadas na cidade para melhorar o ar e a qualidade de vida, elas vivem menos tempo e, por isso, precisam ser substituídas com maior frequência.

Independentemente das diferenças entre a cidade e o campo, o estudo mostrou que as árvores têm acelerado seu crescimento em ambas as regiões desde a década de 1960 por causa das mudanças climáticas.

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